Entrevistas · Parceiros

Entrevista: Andreia Evaristo

Olá, como vão vocês?
Hoje é dia do escritor e trouxe para vocês uma entrevista com a nossa parceira Andreia Evaristo, no qual resenhei dois livros por aqui, Chiclete pra guardar pra depois e Allegra – Antes do play.

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Foto: Feira do livro de Joinville

Andreia Evaristo é professora de português, inglês e literatura. Formada em Letras pela Univille. Pós-graduada em linguagens, dona do blog Qualquer Sentido, também escreve crônicas de sábado do jornal A Notícia, da cidade de Joinville (SC), escreve poemas, contos e tem-se dedicado à escrita de romances. Coordena um grupo de escrita criativa Joinville, com o objetivo de incentivar a produção de literatura de qualidade.

1. (Raissa) Em Chiclete pra guardar pra depois, tem alguma crônica ou algumas que tenham acontecido com você ou com algum conhecido?

(Andreia) A maioria das minhas crônicas parte de cenas vividas por mim. Afinal, crônica tem essa ligação profunda com quem o escritor é de verdade, com o que ele acredita, com o que ele pensa/vivencia. Ou seja, nenhum texto ali é 100% ficcional. Claro, a gente desenha uns detalhes para adequar a realidade ao que quer transmitir, mas todos os textos são “acontecidos” comigo ou com quem convive comigo.

2. (Raissa) Desde quantos anos você escreve? Que colocou em mente que era isso que queria para tua vida?

(Andreia) Escrevo desde que aprendi (hahahah). As letras sempre me fascinaram. Aprender a ler e a escrever foi como descobrir um mundo novo, cheio de magia. Mesmo não tendo pai e mãe leitores, a literatura sempre foi muito presente na minha vida. Trocava brinquedos por livros, muitas vezes. Aos onze anos, venci um concurso de escrita na minha escola – com os dois livros mais lidos e votados pelos alunos. Foi meu primeiro mérito literário. Minha adolescência foi permeada por diários e mais diários escritos (hoje devidamente queimados) e agendas com citações de escritores famosos, além de poemas que eu já me metia a fazer. Mas acho que foi na faculdade que eu decidi que poderia levar a coisa mais a sério. Enviei alguns poemas e contos para concursos; cheguei a ser contemplada em alguns deles, mas não cheguei a publicar nada. Depois de formada, criei meu primeiro blog (em 2004). Lá, colocava as mãos nas minhas primeiras crônicas. Migrei para um blog de moda, mas continuei a colocar um ou outro texto literário em meio às postagens. Em 2015, mandei meu primeiro romance young adult para um concurso e tirei 4º lugar. Nessa mesma época, Jura Arruda, meu primeiro editor, enviou algumas das minhas crônicas para o jornal da cidade. Acho que foi ali, em 2015, que eu percebi que não tinha mais volta.

3. (Raissa) Quanto de Andreia tem em Allegra?

(Andreia) Na personagem ou no livro? A personagem tem algumas semelhanças comigo. Como ela, eu também tenho a pele bem branca, tenho um estilo diferente das outras pessoas (não sou pin-up, mas chamo a atenção com meus cabelos coloridos) e conheci meu Senhor Admirador Secreto pela internet. Também sou gorda e não acredito que as pessoas valham mais ou menos pelo que aparentam – e também acredito que ninguém precise se enquadrar em qualquer padrão para ser feliz. Podemos ser tudo o que quisermos – e ninguém tem nada a ver com isso.

4. (Raissa) As característica de Allegra, tanto a aparência quanto a história em si, fogem dos padrões literários que estamos acostumados (e exaustos) de ler. O que te motivou a criar Allegra?

(Andreia) Quando eu lancei o Chiclete por um edital de apoio à cultura, eu elaborei uma palestra para estudantes, como contrapartida social, com o tema “a mídia e o corpo feminino”. Verifiquei na prática o quanto os adolescentes, em especial as garotas, sofrem com padrões impostos que, muitas vezes, são inatingíveis. Acho que isso me motivou, até certo ponto, a começar Allegra. Outra coisa que eu queria era escrever mais uma releitura de outro conto de fadas (Em pele de cordeiro também tem referências a um conto de fadas, no caso, Chapeuzinho Vermelho). Achei que Cinderela combinava bem com o que eu pretendia com Allegra.

5. (Raissa) Podemos considerar Allegra como um grito contra os padrões?

(Andreia) Mais que um grito contra os padrões, Allegra é um chamado à autenticidade, à liberdade. Que sejamos livres para ser quem nós quisermos e que possamos compreender que, para sermos felizes, não precisamos ser perfeitos.

6. (Raissa) Em algumas partes, notei que Allegra acaba comendo quando está triste, ou seja desconta todo o emocional na comida, podemos dizer que ela sofre de algum distúrbio alimentar causado por traumas ou é um comportamento moderado dela?

(Andreia) Não chega a ser um distúrbio alimentar, mas é uma válvula de escape – como muitas pessoas gordas. Muita gente desconta na comida suas frustrações, como muita gente desconta na bebida alcoólica, na atividade física, na literatura… O ser humano sempre busca conforto no que lhe parece mais cômodo. No caso de Allegra, é a comida.

7. (Raissa) Os capítulos dos livros levam nomes de trechos de músicas do Elvis Presley. Essa escolha foi exclusiva para construir a personagem ou você é fã e quis colocar um pouco disso nos livros?

(Andreia) Eu sou fã de música boa, independente de quando ela foi produzida. Claro que Elvis faz parte do meu repertório, mas não sou tão fã quanto Allegra. Eu aproveitei o que eu conhecia do cantor e associei com o fato de Allegra ter esse estilo rockabilly – e achei que o casamento foi perfeito.

8. (Raissa)  Você é professora de Língua portuguesa/inglesa, né? Seus alunos também são seus leitores? Como é esse contato tão próximo com o leitor?

(Andreia) Sim, meus alunos são meus leitores – tanto os alunos atuais quanto os que já passaram pelas minhas aulas e se foram (já são mais de 20 anos em sala de aula, visto que comecei aos 15 num jardim de infância). Eu adoro esse contato mais próximo. Acho o máximo quando um aluno se identifica com algum personagem, se emociona com algum trecho. E quando estou produzindo livros novos, costumo fazer enquetes para saber como cada um lida/lidou com determinadas situações – mas essas enquetes eu costumo fazer pelas redes sociais. Isso me ajuda muito a criar situações verossímeis e com sentimentos bem autênticos. Aliás, o que seria de um escritor sem o contato com o leitor?

Foi isso gente, espero que tenham gostado!

Lembrando que Allegra Antes do play está na pré venda e você pode adquirir AQUI.

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3 comentários em “Entrevista: Andreia Evaristo

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