Resenhas

Outros jeitos de usar a boca: poemas para se sentir segura

Olá, como vocês estão?

Ontem, durante um trabalho em aula, fui a biblioteca da etec, olhando as poucas prateleiras que tem, encontrei um livro que há muito tempo queria ler, Outros jeitos de usar a boca, de Rupi Kaur. Cheia de tarefas para encerrar o semestre, peguei o livro, quem sabe daria tempo de dar uma lida sem me atrapalhar meus prazos, pois bem, hoje após o almoço sentei para ler, fiquei imensamente feliz e profundamente triste ao mesmo tempo, o livro foi um dos mais bonitos que já li em toda essa minha vida de leitora, mas a tristeza veio pela velocidade no qual ele foi lido, não foi exatamente minha culpa, é bem curto, algumas páginas com duas linhas, mas um livro tão rico, queria eu ter lido uma página por dia pra poder durar mais tempo! Nunca fui grande leitora de poesia, não faz muito meu tipo literário, mas esse livro tem um grande teor feminista e algo bem particular e intimista, mas ao mesmo tempo traz sentimentos muito universais entre nós mulheres.

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O livro é dividido em 4 partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura.

Em a dor, temos relatos de abusos sexuais, violência, relações familiares perturbadoras, a relação de pai e filha, trata-se de uma ordem cronológica, do que é ser mulher desde que nascemos, dos primeiros abusos, da primeira que roubam nossa dignidade quando ainda nem sabemos o significado do que está acontecendo. Foi uma parte bem intensa no qual abre feridas de muitas de nós.

“toda vez que você
diz para sua filha
que grita com ela
por amor
você a ensina confundir
raiva com carinho
o que parece uma boa ideia
até que ela cresce
confiando em homens violentos
porque eles são tão parecidos 
com você”
aos pais que tem filhas

O amor já vem com o descobrimento do corpo, do sexo, da consensualidade das coisas, do que gosta, de como descobrir o que gosta, do amor em si, da entrega, uma parte bem gostosa de se ler, trazendo toda sensualidade de maneira sutil, nada obsceno, algo com muito cuidadoso.

“você me tocou
sem nem precisar
me tocar”

A ruptura vem cheia de decepções, as dores do término, de reconhecer onde estavam os erros, de deixar doer, assim dando início ao processo de amor próprio que vemos em a cura, cheio de poemas sobre como deveríamos nos amar e nos enxergar como o ser mais lindo das nossas vidas, e no fim, de como todos esse processos de dor, descobertas e angústias são importantes para construção de quem somos hoje, de como é importante não nos colocarmos dentro de uma bolha de proteção das coisas, a dor é necessária para crescermos.

“eu não fui embora porque
eu deixei de te amar
eu fui embora porque quanto mais
eu ficava menos
eu me amava”

O livro possui uma leitura muito fácil, muito suave, diferente do que estamos acostumados a ler em poemas, achei uma leitura muito gostosa e direta, o livro te abre o coração sem você perceber, acho que toda mulher deveria ler para retomar as energias e tomar uma boa dose de amor próprio sempre quando se sentir para baixo, é lindo demais, uma leitura super rápida, alguns poemas possuem simplesmente 3 linhas por página, todas deveríamos ter um na bolsa, num dia bem cheio, abrir, ler um poema, respirar fundo e voltar a vida.

“como você ama a si mesma é
como você ensina todo mundo
a te amar”

A autora também faz bastante questionamentos em relação a tabus na sociedade, como os pêlos e a menstruação, há alguns anos atrás Rupi Kaur gerou discussão na internet após publicar uma foto no instagram onde sua calça e seu lençol estavam manchados de menstruação, tentando fazer da nossa natureza algo realmente natural, porém o instagram deletou a foto, comprovando todas as críticas da autora, de quantos tabus ainda giram em torno da natureza feminina.

Espero que gostem, é praticamente indispensável ❤

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