Textos autorais

Bill Denbrough e a atenção a gagueira

Olá. como vão vocês?

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Bom, eu quis falar sobre It a coisa logo que assisti na estreia do filme, mas aguentei, esperei o momento certo de falar do assunto. Eu não cheguei a assistir a versão original do filme, muito menos tive oportunidade de ler a obra, então, tudo o que assistiria ali para mim seria uma grande novidade. E foi.

Sentei na minha poltrona, o filme começou, as primeiras palavras de Bill, trêmulas, achei que fosse impressão minha, mas não era, o personagem ali era gago, me deu um frio na barriga, sim eu também tenho gagueira, fiquei tensa ao pensar que durante a sessão poderia ouvir piadinhas maldosas a respeito disso, que mesmo eu sendo uma  adulta, não deixam de ferir minha auto estima e ansiedade da mesma forma.

Mas ao decorrer do filme, eu me senti orgulhosa do personagem Bill, e o melhor, me senti REPRESENTADA! Por vários anos eu vi e vejo gagos sendo levados para o cinema e para a televisão como personagens bobos, engraçados, para o divertimento do público, principalmente na televisão que nem é necessário citar o nome do infeliz programa de humor sem graça que faz gago de chacota. Nas novelas, gagos são personagens inocentes, com uma gagueira mais falsa que nota de três reais, que deixa a gagueira ainda mais ridicularizada, a tv sempre levou gago como entretenimento, nunca para demonstrar nossas dificuldades e conscientizar as pessoas. Mas voltando ao filme, eu vi em Bill tudo o que sempre senti falta na televisão, um personagem com uma gagueira praticamente real, com dificuldades até mesmo nos sons que eu sinto, mostrou nossas dificuldades, principalmente na cena em que ele fala uma frase repetidamente na rua até a frase sair certa, essa é uma realidade minha até hoje, Bill também não foi um personagem bobo, sua inteligência e qualquer outra capacidade não foram colocadas em prova, a gagueira no filme foi uma característica do personagem que em momento nenhum fez dele uma peça menos importante ou engraçada da obra. Eu gostaria de ver mais gagos como Bill na mídia, uma gagueira sem deboche, com sensibilidade.

Porque desse texto agora, quase 2 meses após a estreia do filme? Pois bem, hoje é dia internacional da gagueira, eu simplesmente quis unir arte e realidade, um filme tão esperado que para muitos é sinônimo de medo, para mim foi representatividade e sensibilidade, gagueira não é sobre ser menos inteligente, ou lerdo, ou qualquer outra dificuldade, é um distúrbio da fala, não é charme, não foi susto na infância, e por fim, não somos chachota da sociedade, nós existimos, gagueira não tem graça, tem tratamento.

Seja paciente, seja gentil ♥

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Resenha: Deixa-me te amar (Mariana Monni)

51aNzLndtGL.jpgOlá pessoas, como vão vocês?

trago hoje a resenha de um livro fresquinho na Amazon, tão fresco que eu devo ser uma das primeiras pessoas a lê-lo, ou pelo menos a resenha-lo.

Sinopse:

Eduardo Müller é o homem perfeito! Lindo, inteligente, bem sucedido e bom de cama. O que mais uma mulher poderia querer? Antes que você pense que esse é mais um livro sobre um lindo e irresistível CEO, esqueça!

Ele é um romântico incurável, que sonha em ter uma casa barulhenta, uma família grande e a mulher dos sonhos. Acontece que a mulher dos seus sonhos, Laura, é bem mais complicada do que ele poderia imaginar. Mãe solo de uma casal de gêmeos, ela ergueu firmes barreiras que dificultam qualquer relacionamento amoroso.

Só que Eduardo não é qualquer homem, e não desistirá até que ela diga sim. Mas ele não contava com as surpresas do destino e os desafios que ele trará.

O livro é um romance beeem hot, foi a minha primeira leitura do gênero e me surpreendi muito, gostei do fato da autora usar uma linguagem bem crua e informal, não ter medo das palavras, o que me irrita no hot é a maneira como descrevem cenas usando palavras que mascarem o conteúdo erótico que muitas vezes o leitor fica simplesmente sem entender nada e não consegue visualizar o livro, mas a Mariana Monni não poupou palavras e não colocou sinônimos bonitinhos, foi o português cru, um casal fazendo sexo no qual você consegue imaginar todo o fluxo da leitura sem dificuldades, também gostei do uso de trocadilhos e xingamentos, o que torna o livro real, aproxima o leitor, porque são coisas que fazem parte da nossa rotina, é bom ler e se encontrar dentro da leitura em algum ponto, e o que me agrada muito no cenário nacional atual são as formas de linguagem. A qualidade literária não significa livros enormes com palavras difíceis que suas pálpebras não conseguem se manter abertas por mais de cinco páginas, esse nacional que aproxima as pessoas pela língua falada é bem bacana, o livro me cativou muito nesse ponto.

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O romance por mais apaixonado que pareça, não acho que se encaixe no casal clichê, talvez a intensidade do amor de Eduardo e Laura sim, mas o desenrolar da história não, pois é bem comum nos depararmos com romances que começam apaixonados, que por qualquer besteira rola desconfiança, separação, sofrimento e reconciliação, enquanto nessa leitura é bem claro o sentimento e confiança de Eduardo e Laura, são dois adultos que sabem que é besteira brigar ou largar por qualquer razão, o amor deles não se abala do início ao fim do livro, mesmo tendo um ápice de emoção e suspense, a confiança um no outro permanece filme, o que mostra ser um romance adulto, maduro e principalmente saudável!

Saudável porque tem diálogos, não tem pressão, não tem inseguranças, não tem um mandando no outro e principalmente tem uma mãe dando uma criação impecável aos filhos, enquanto diversos livros trazem a romantização de relacionamento abusivo, Deixa-me te amar traz uma relação sadia e acusa realmente o que é uma relação doentia.

Eu gostei muito da leitura, recomendo para quem não se importa com palavrões e descrições sexuais, é bem fluído e interessante!

Você pode comprar o livro AQUI.

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Uma Canção para Sofia: O bullying e a saúde mental

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Olá pessoas, como você estão?

Bom, um dos livros que eu mais esperei esse ano foi a sequência da série Sofia, o livro Uma canção para Sofia, da nossa parceria Mai Passos G, o primeiro livro foi resenhado aqui no blog e vocês podem conferir  aqui.

Uma canção para Sofia traz os reais motivos que levaram a sua morte tão precoce acontecer, no primeiro livro acompanhamos Sophie, a irmã mais nova que queria unir a família novamente, ali sabemos que Sofia morreu em um acidente de carro onde seu namorado dirigia, mas o que levou eles até ali? é aí que conhecemos o outro lado da moeda nesse segundo livro!

A primeira impressão que  temos de Sofia no primeiro livro, é que ela foi uma adolescente rebelde, teimosa e irresponsável, e foi essa a visão que os próprios pais dela também tiveram, mas e se pudéssemos conhecer suas lutas internas?

Pois bem, toda ação tem uma reação, Sofia sofria muita perseguição na escola, fofocas, piadas em relação ao seu corpo, um dia mais insuportável que o outro, até que um dia a maldade chegou em um nível cruel demais, Sofia foi exposta e humilhada, aquilo marcou seu coração para sempre, a dor chegou no seu limite, ou ela encontrava formas de alivia-la dessa dor ou ela colocava um fim em tudo, infelizmente caminhos duvidosos foram seguidos, Sofia se envolveu com drogas, a sensação de fuga da realidade lhe tirava aquela dor de estar morrendo um pouco por dia quando pisava na escola, seu comportamento já era outro, não por tentativa de dar a volta por cima, mas por defesa, ser agressiva era defender-se de ser machucada de novo e cada vez mais, nem o amor a conexão com Vitor foram suficientes para curar suas feridas.

O livro traz toda essa realidade em torno do bullying, de como as pessoas podem ser cruéis e de como cada um lida com a sua dor, se enfrenta, se foge ou se termina com tudo de uma vez, Sofia foi vítima o tempo todo, até mesmo quando era grossa com quem queria seu bem, era sua defesa para não sentir, não aguentaria sentir mais nada, a vida de Sofia chegaria ao fim cedo de qualquer forma, se o acidente não a levasse, talvez o sofrimento interno tivesse feito isso pouco tempo depois.

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Nós nunca sabemos o que cada um passa, cada um de nós sentimos de uma forma e temos intensidades diferentes de sentir, o que para você não é nada, para o outro é um gatilho emocional muito grande, a lição do livro é: tenham empatia, respeitem as pessoas, nós não sabemos das lutas diárias de ninguém, você nunca sabe o gatilho que pode criar no coração das pessoas, se você for vítima de algo, procure ajuda.

A autora conseguiu ser extremamente tocante, te faz sentir e refletir, o primeiro livro foi maravilhoso, agora com o segundo a série realmente se torna algo muito emocionante e cheios de aprendizados para a vida, a autora não deixa ponta nenhuma solta, o tempo todo consegue conectar os livros sem se tornar repetitivo, leitura fluída e que prende muito!

E por fim, priorizar sua saúde mental não é egoísmo é AMOR PRÓPRIO!

gostou? bem, Uma canção para Sofia estará GRATUITO na Amazon nos dias 30 de setembro e 1 de outubro, você pode adquirir aqui.

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Entrevistas · Parceiros

Crônicas de Markus: Impressões

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Oi gente, como vão vocês?

Ano passado resenhei aqui o livro Crônicas de Markus do nosso parceiro Marcio Zanini, quando li a primeira vez foi a versão em pdf, eu ainda não tinha um kindle e acabei lendo todo o livro pelo meu notebook, mesmo com a luz cansativa da tela, foi uma leitura muito proveitosa, mas esse ano o Marcio publicou seu livro pela editora Xeque-Matte e me enviou um exemplar, no qual eu tive o prazer de reler essa obra e novamente trazer um pouco da minha experiência com a versão física.

Começando pela estética do livro, achei muito bonita, a capa ficou muito bem feita e os detalhes no início dos capítulos deram um charme essencial, dando vida em toda pegada clássica que ele tem.

Não poderia deixar de falar do maior orgulho que deu em ver meu nome nos agradecimentos, as vezes a gente acha que  blog não vale a pena, ai vê isso, é saber que estou no caminho certo, imensamente feliz em fazer parte dessa conquista.

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As folhas amareladas e o tamanho da fonte nos proporcionam uma leitura muito fluída, além da história em si ser fluída, com o livro físico, senti que as informações  foram bem mais absorvidas por mim, senti mais detalhes, o que deu aquela impressão de primeira vez novamente. Não tenho o hábito de reler livros, esse foi o primeiro e eu fiquei bem surpresa comigo mesma na maneira que interagi com ele pela segunda vez.

O livro ainda promete uma sequência para 2018 onde encerrará a duologia.

Fiz uma pequena entrevista com o autor para compartilhar um pouquinho mais do trabalho dele e seus novos projetos, confira:

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1. O que podemos esperar da sequência de crônicas de Markus?

Podemos esperar a conclusão dessa etapa da vida de Markus que será mais maduro e confortável com a sua situação. Garanto que terá fortes emoções e as pessoas nem imaginam o que irá acontecer.
2. Como tem sido a experiência de trabalhar com editora?

Tem sido maravilhosa para mim. Muito melhor do que trabalhar por conta própria.
3. Você acha que o contato com editora te abriu mais oportunidades?

Sem dúvidas. Uma editora me da mais visualização. Conheço mais pessoas do meio e uma coisa puxa a outra.
4. Tem mais projetos em vista além da sequência de crônicas?

Até o final de 2018, serão três projetos e não mais do que isso. Será o Crônicas 2,  o Vítimas da Obscuridade pela Aldeia dos Livros e um projeto ainda em segredo pela editora Hope.

Gostou? Você pode adquirir o livro clicando no ícone aqui do lado no nosso layout que te encaminha direto para o site de compra!

Espero que tenham gostado ❤

Dicas

10 motivos para criar uma conta no tumblr

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Olá, como vão vocês?

Ultimamente eu tenho vista uma grande quantia de postagens semelhantes em blogs e canais de youtube, maioria com títulos “como ser uma garota tumblr” “como ter estilo tumblr” “como fazer uma make tumblr” “como ter quarto tumblr” entre diversos outros tutorias espalhados por aí, confesso que me irrita um pouco, já que tumblr não passa de um site onde você hospeda seu blog, assim como blogspot, wordpress, wix, entre outros, é como eu vir aqui e falar “como ser garota facebook” fica meio estranho né? Então eu como usuária do tumblr há vários anos trouxe motivos reais para você conhecer essa linda rede social que vai muito além de tutorial de estilo, aliás percebi que poucas são as pessoas que ainda usam o tumblr mesmo elas sendo “”garota tumblr”” o que não faz sentido sendo que o primeiro passo seria ter uma conta, enfim, VEM CONHECER ESSA GRACINHA!

  1. Você conhece muita gente que sente o mesmo que você, mesmo que vocês não tenham contato direto e só rebloggem um do outro, você sabe que não está sozinho.tumblr_njhyg2vXoh1tls4kvo1_500
  2. Você pode escrever a vontade e desabafar tudo o que pesa dentro de si, ou pelo menos escrever quando se sente bem pra isso, ninguém vai te julgar.cats
  3. Você encontra uma grande variedade de fotografias para se inspirar, seja estilos novos, roupas, maquiagem, ângulos para fotografar, ou qualquer coisa que procure como inspiraçãotmlb
  4.  Você vai rir muito com os gifs, que talvez você não veja muito no facebook e se sentirá um ser supremo por conhecer aquele meme antes dos usuários de outras redes sociais.tumblr_oog5hoWoXg1w3qlxzo1_500
  5. Você vai visitar outros tumblrs e sempre vai ficar maravilhado com uma música nova que vai descobrir naquela playlist, e vai se frustrar quando a playlist não tem o nome daquela preciosidade sonora.catsrr
  6. Inevitavelmente, sexo virará uma obra de arte, simplesmente não da para fugir de certos gifs 18+ na sua dashboard, eles sempre surgem, não adianta correr, e por mais bizarro que seja você fica “uau!”tumblr_ndpz4ugPHK1t1muopo1_250
  7. Você pode deixar o theme do seu jeito, o tumblr permite alterar o layout mesmo na versão gratuita, se você digitar #theme você encontrará uma infinita quantia de links com themes html para você utilizar de graça!catsrr1.jpg
  8. Você vai descobrir que aquela roupa parada no seu armário  pode ser a coisa mais maravilhosa dos seus lookstumblr_occu93DoiR1vnr05yo1_500
  9. Você saberá surpreender a pessoa que você gosta, o amor sempre está no ar!tumblr_nhtk9i7fX81sub5g1o1_500
  10. Sempre terá imagens e gifs de diálogos de filmes e séries, que talvez você não conheça e passará a pesquisar e quando perceber estará assistindo todas, aliás, se uma cena de Skins não passar na sua dashboard, você ta usando o tumblr errado!tumblr_orfwbbpOXa1w2dz7ro1_500

 

Foi isso gente! Quem quiser conhecer meu tumblr é slomo–tion.tumblr.com

Entrevistas · Parceiros

Entrevista: Andreia Evaristo

Olá, como vão vocês?
Hoje é dia do escritor e trouxe para vocês uma entrevista com a nossa parceira Andreia Evaristo, no qual resenhei dois livros por aqui, Chiclete pra guardar pra depois e Allegra – Antes do play.

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Foto: Feira do livro de Joinville

Andreia Evaristo é professora de português, inglês e literatura. Formada em Letras pela Univille. Pós-graduada em linguagens, dona do blog Qualquer Sentido, também escreve crônicas de sábado do jornal A Notícia, da cidade de Joinville (SC), escreve poemas, contos e tem-se dedicado à escrita de romances. Coordena um grupo de escrita criativa Joinville, com o objetivo de incentivar a produção de literatura de qualidade.

1. (Raissa) Em Chiclete pra guardar pra depois, tem alguma crônica ou algumas que tenham acontecido com você ou com algum conhecido?

(Andreia) A maioria das minhas crônicas parte de cenas vividas por mim. Afinal, crônica tem essa ligação profunda com quem o escritor é de verdade, com o que ele acredita, com o que ele pensa/vivencia. Ou seja, nenhum texto ali é 100% ficcional. Claro, a gente desenha uns detalhes para adequar a realidade ao que quer transmitir, mas todos os textos são “acontecidos” comigo ou com quem convive comigo.

2. (Raissa) Desde quantos anos você escreve? Que colocou em mente que era isso que queria para tua vida?

(Andreia) Escrevo desde que aprendi (hahahah). As letras sempre me fascinaram. Aprender a ler e a escrever foi como descobrir um mundo novo, cheio de magia. Mesmo não tendo pai e mãe leitores, a literatura sempre foi muito presente na minha vida. Trocava brinquedos por livros, muitas vezes. Aos onze anos, venci um concurso de escrita na minha escola – com os dois livros mais lidos e votados pelos alunos. Foi meu primeiro mérito literário. Minha adolescência foi permeada por diários e mais diários escritos (hoje devidamente queimados) e agendas com citações de escritores famosos, além de poemas que eu já me metia a fazer. Mas acho que foi na faculdade que eu decidi que poderia levar a coisa mais a sério. Enviei alguns poemas e contos para concursos; cheguei a ser contemplada em alguns deles, mas não cheguei a publicar nada. Depois de formada, criei meu primeiro blog (em 2004). Lá, colocava as mãos nas minhas primeiras crônicas. Migrei para um blog de moda, mas continuei a colocar um ou outro texto literário em meio às postagens. Em 2015, mandei meu primeiro romance young adult para um concurso e tirei 4º lugar. Nessa mesma época, Jura Arruda, meu primeiro editor, enviou algumas das minhas crônicas para o jornal da cidade. Acho que foi ali, em 2015, que eu percebi que não tinha mais volta.

3. (Raissa) Quanto de Andreia tem em Allegra?

(Andreia) Na personagem ou no livro? A personagem tem algumas semelhanças comigo. Como ela, eu também tenho a pele bem branca, tenho um estilo diferente das outras pessoas (não sou pin-up, mas chamo a atenção com meus cabelos coloridos) e conheci meu Senhor Admirador Secreto pela internet. Também sou gorda e não acredito que as pessoas valham mais ou menos pelo que aparentam – e também acredito que ninguém precise se enquadrar em qualquer padrão para ser feliz. Podemos ser tudo o que quisermos – e ninguém tem nada a ver com isso.

4. (Raissa) As característica de Allegra, tanto a aparência quanto a história em si, fogem dos padrões literários que estamos acostumados (e exaustos) de ler. O que te motivou a criar Allegra?

(Andreia) Quando eu lancei o Chiclete por um edital de apoio à cultura, eu elaborei uma palestra para estudantes, como contrapartida social, com o tema “a mídia e o corpo feminino”. Verifiquei na prática o quanto os adolescentes, em especial as garotas, sofrem com padrões impostos que, muitas vezes, são inatingíveis. Acho que isso me motivou, até certo ponto, a começar Allegra. Outra coisa que eu queria era escrever mais uma releitura de outro conto de fadas (Em pele de cordeiro também tem referências a um conto de fadas, no caso, Chapeuzinho Vermelho). Achei que Cinderela combinava bem com o que eu pretendia com Allegra.

5. (Raissa) Podemos considerar Allegra como um grito contra os padrões?

(Andreia) Mais que um grito contra os padrões, Allegra é um chamado à autenticidade, à liberdade. Que sejamos livres para ser quem nós quisermos e que possamos compreender que, para sermos felizes, não precisamos ser perfeitos.

6. (Raissa) Em algumas partes, notei que Allegra acaba comendo quando está triste, ou seja desconta todo o emocional na comida, podemos dizer que ela sofre de algum distúrbio alimentar causado por traumas ou é um comportamento moderado dela?

(Andreia) Não chega a ser um distúrbio alimentar, mas é uma válvula de escape – como muitas pessoas gordas. Muita gente desconta na comida suas frustrações, como muita gente desconta na bebida alcoólica, na atividade física, na literatura… O ser humano sempre busca conforto no que lhe parece mais cômodo. No caso de Allegra, é a comida.

7. (Raissa) Os capítulos dos livros levam nomes de trechos de músicas do Elvis Presley. Essa escolha foi exclusiva para construir a personagem ou você é fã e quis colocar um pouco disso nos livros?

(Andreia) Eu sou fã de música boa, independente de quando ela foi produzida. Claro que Elvis faz parte do meu repertório, mas não sou tão fã quanto Allegra. Eu aproveitei o que eu conhecia do cantor e associei com o fato de Allegra ter esse estilo rockabilly – e achei que o casamento foi perfeito.

8. (Raissa)  Você é professora de Língua portuguesa/inglesa, né? Seus alunos também são seus leitores? Como é esse contato tão próximo com o leitor?

(Andreia) Sim, meus alunos são meus leitores – tanto os alunos atuais quanto os que já passaram pelas minhas aulas e se foram (já são mais de 20 anos em sala de aula, visto que comecei aos 15 num jardim de infância). Eu adoro esse contato mais próximo. Acho o máximo quando um aluno se identifica com algum personagem, se emociona com algum trecho. E quando estou produzindo livros novos, costumo fazer enquetes para saber como cada um lida/lidou com determinadas situações – mas essas enquetes eu costumo fazer pelas redes sociais. Isso me ajuda muito a criar situações verossímeis e com sentimentos bem autênticos. Aliás, o que seria de um escritor sem o contato com o leitor?

Foi isso gente, espero que tenham gostado!

Lembrando que Allegra Antes do play está na pré venda e você pode adquirir AQUI.

Textos autorais

My insides all turned to ash, so slow

 

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Olá, hoje o plano era post sobre o dia do amigo, mas não vai rolar, uma notícia triste inundou a internet a tarde, Chester Bennington, vocalista do Linkin Park foi encontrado morto em sua casa, suicídio por enforcamento, eu ainda não sei como lidar com isso, então, vou tentar escrever.

Acho que Linkin Park foi a primeira banda de muita gente, a porta de entrada para o rock e provavelmente todo mundo já tenha ouvido pelo menos uma vez na vida as músicas Numb, Crawling e In the end.

E como não fui diferente, Linkin Park entrou na minha vida bem cedo, eu devia ter uns 6 anos e ouvi o álbum Live in Texas e a partir daí começou uma grande jornada de admiração e de dias inteiros ouvindo seus álbuns no meu velho mp4 de tela trincada e bateria viciada. As músicas da banda me acompanharam na infância e na adolescência, me deram conforto nos dias tristes e me alegraram dos dias que precisava de muita animação para terminar uma faxina, nas longas idas e vindas para a escola onde o caminho era uma eternidade, eu tive um lado da minha parede só com poster da banda, tinha camisetas que infelizmente tive que desfazer porque a gente cresce (ou a roupa encolhe?) e ela mal passava na cabeça de tão apertada. A duplinha vocal Chester + Mike me acompanharam e acompanharam muita gente até hoje, e deixará uma grande saudade, a nossa geração se despedindo do dono dos maiores hits dos anos 2000.

Chester tinha depressão, sofreu um abuso na infância e acho que essas coisas que a mídia deveria falar sobre ele, me dói ver a mídia colocando em alta “problemas com álcool e drogas” e diminui sua saúde mental, que esses problemas que ele lidava são consequências da depressão. E acho que assim, válido reforçar, depois de tantos debates quando 13 reasons why foi lançado, cuidem umas das outras, sejam gentis, não diminuam a dor de alguém, não brinquem com os sentimentos dos outros, ninguém sabe das lutas que os outros estão passando, ninguém mesmo, então sejam legais, ser legal salva pessoas.

Não importa a classe social, todos nós temos problemas estamos vulneráveis a depressão, não é frescura, não é falta de deus, não é “é rico e ta reclamando a toa”, respeitem as lutas diárias das pessoas!

Enfim, eu estou a tarde toda olhando para tela tentando escrever, não saiu como eu queria, mas acho que consegui passar alguma coisa, é isso, Chester fará falta e sempre será lembrado pela nossa geração.

Saúde mental também é importante!

Tem pensamentos suicidas? A CVV pode ajudar você, ligue para 141, acesse o site para mais informações www.cvv.org.br

E encerro o post com minha música queridinha, que aliás a primeira frase levou o título desse post.